quarta-feira, 11 de junho de 2014

Brasil e Croácia abrem hoje a Copa

Mundial começa às 17h em São Paulo e terá cobertura completa no G1.
Relembre broncas da Fifa, protestos, argumentos a favor, musas e frases.

Selo Vai ter Copa (Foto: Editoria de Arte/G1)

Quando o Brasil foi escolhido como sede da Copa, Claudia Leitte ainda era vocalista do Babado Novo. O cantor Michael Jackson e a atriz Dercy Gonçalves estavam vivos. E "manifestar" não era um verbo tão conjugado pelos brasileiros. Na época daquele 30 de outubro de 2007, Paulo Coelho e Romário eram a favor do Mundial no país. Hoje, são dois dos mais incisivos críticos do evento. Outros insatisfeitos podem se reunir em protestos marcados com a ajuda das redes sociais – é a turma do "não vai ter Copa".
Pouco mais de um ano antes do campeonato, o Brasil viveu o pico das manifestações. Em 20 de junho de 2013, passeatas pelo país reuniram 1,25 milhão de pessoas. A adesão caiu depois, mas brasileiros passaram a se acostumar com gente nas ruas e luta por direitos como saúde, educação e segurança.
Nas últimas semanas, paralisações de serviços públicos fizeram parte da rotina em várias cidades. A greve do Metrô em São Paulo poderia atrapalhar a abertura do Mundial. Mas os metroviários descartaram uma nova paralisação, a menos de 24 horas do pontapé inicial.
Nas ruas, o clima "copeiro" demorou a pegar, mas já colore ruas e enfeita carros, mesmo que o entusiasmo não seja o de outros torneios. Gastando tinta verde e amarela ou não, os brasileiros parecem ter certeza de uma coisa: após a eliminação na Copa de 2010, na África do Sul, e a medalha de prata na Olimpíada de 2012, não se imaginava que a obra mais bem acabada seria, justamente, a seleção arquitetada pelo técnico Felipão.
Ricardo Teixeira, Lula e Joseph Blatter, em 2010; Encerramento do Pan 2007; Protesto em SP, em 2013; Jérôme Valcke, secretário da Fifa; A então ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff e o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, em 2009; Lula discursa em 2014; Obra no Rio; Filha de operário morto da Arena Corinthians; O mascote Fuleco; Fernanda Lima em sorteio de grupos (Foto: Ricardo Stuckert/PR; Marcos Ribolli/Globoesporte.com; Daniela Souza/Estadão Conteúdo; Cadu Rolim/Agência Estado; Roosewelt Pinheiro/Agência Brasil; André Lucas Almeida/Futura Press/Estadão Conteúdo; Gabriel Barreira/G1; Thomaz Fernandes/G1; Toshifumi Kitamura/AFP; Reuters  )Ricardo Teixeira, Lula e Joseph Blatter, em 2010;
Encerramento do Pan 2007; Protesto em SP, em
2013; Jérôme Valcke, secretário da Fifa; A então
ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff e o ministro
do Planejamento, Paulo Bernardo, em 2009; Lula
discursa em 2014; Obra no Rio; Filha de operário
morto da Arena Corinthians; O mascote Fuleco;
Fernanda Lima em sorteio de grupos (Foto: Ricardo
Stuckert/PR; Marcos Ribolli/Globoesporte.com;
Daniela Souza/Estadão Conteúdo; Cadu Rolim/
Agência Estado; Roosewelt Pinheiro/Agência
Brasil; André Lucas Almeida/Futura Press/Estadão
Conteúdo; Gabriel Barreira/G1; Thomaz Fernandes/
G1; Toshifumi Kitamura/AFP; Reuters )
Veja a seguir o que aconteceu desde que o Brasil foi escolhido como sede:
Candidato único - Em março de 2006, a candidatura brasileira ganhou corpo com o apoio da Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol). Antes, Argentina e Colômbia estavam no páreo. O Brasil se tornou candidato único a realizar a Copa, por conta do rodízio de continentes. Essa era a vez de a América do Sul sediar o evento.
A proposta para abrigar o Mundial de 2014 no Brasil tinha 18 candidatas a cidades-sede. Nas 900 páginas de informações, estavam as 11 garantias pedidas pela Fifa, com temas como segurança e a capacidade de receber turistas. Ricardo Teixeira, então presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), entregou o documento ao presidente da Fifa, Joseph Blatter (Leia mais sobre a escolha do Brasil e a candidatura das cidades-sede).
Pan do Rio como exemplo - A escolha do Brasil foi oficializada após a realização dos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro. "Se nós estamos gastando isso no Rio de Janeiro para fazer o Pan, imaginem uma Copa do Mundo que vai utilizar, quem sabe, 12 estádios, oito, dez, sei lá quantos estádios", disse o então presidente Lula, em junho de 2007. "Imaginem o que nós vamos ter que construir de obras de infraestrutura, o que a iniciativa privada vai ter que construir de palcos para os eventos", acrescentou Lula (leia mais sobre o legado do Pan e como ele influencia a "longa caminhada" até a Olímpiada do Rio, em 2016).
Broncas da Fifa - Desde que o Brasil foi escolhido como sede da Copa de 2014, a Fifa faz pressão sobre o andamento das obras. Em 2012, a federação chegou a ameaçar "chutar o traseiro" do Brasil, expressão dita pelo secretário geral da entidade, Jérôme Valcke. "O Brasil está mais atrasado que a preparação da África do Sul no mesmo período. Essa foi a primeira vez que um país teve sete anos para organizar o Mundial, mas existe atraso", afirmou o presidente da Fifa, Joseph Blatter, em janeiro deste ano.
Mas o mais incisivo dos dois foi Valcke. Ele chegou a afirmar que o Brasil precisava do tal "chute no traseiro" para acelerar os preparativos. "Lembro que me diziam: 'Como você pode duvidar do Brasil? Nós organizamos o carnaval do Rio todos os anos com 3 milhões de pessoas'. Mas no carnaval são pessoas do Rio, que têm seus apartamentos, estão na praia e ficam lá. As pessoas achavam que era fácil, mas organizar uma Copa é um trabalho de verdade. É uma responsabilidade real", comparou (leia mais).
Trem-bala - Em junho de 2009, Dilma Rousseff, então ministra-chefe da Casa Civil, declarou que um trem-bala de Campinas (SP) para o Rio ficaria pronto até a Copa. "Nosso projeto é que esteja pronto em 2014, ou pelo menos o trecho entre Rio e São Paulo", disse. Mas o projeto foi adiado várias vezes e, atualmente, não há data marcada para a licitação (leia mais). Em maio, a presidente Dilma disse ter "orgulho das realizações". "A Copa se aproxima, tenho certeza de que nosso país fará a Copa das Copas. Não temos do que nos envergonhar e não temos o complexo de vira-latas, tão bem caracterizado por Nelson Rodrigues ao se referir aos eternos pessimistas de sempre", declarou (leia mais).
Protestos - As manifestações de junho de 2013 começaram com um alvo principal: o aumento na passagem de ônibus, trem e metrô em São Paulo. Conforme as ruas foram sendo tomadas por multidões cada vez maiores, outros temas foram somados, em diferentes cidades brasileiras. Era fácil encontrar cartazes e gritos sobre a violência urbana, a precariedade do serviço público e os custos da Copa (leia mais). Na final da Copa das Confederações, no dia 30 de junho de 2013, quando o Brasil venceu a Espanha por 3 x 0, cerca de 1.200 pessoas fizeram protestos no entorno do estádio do Maracanã (leia mais).
Mobilidade e aeroportos - Em um levantamento feito pelo G1, apenas 51,7% das obras de mobilidade urbana e aeroportos nas cidades-sede foram entregues. Dos 45 projetos inaugurados, 15 estão incompletos por causa de atrasos e cancelamentos. Das 74 obras de mobilidade e das 13 em aeroportos, 32 foram descartadas para a Copa e devem ficar prontas somente após a competição. A inauguração de outras dez deve acontecer até esta quinta-feira ou durante os jogos, segundo os gestores. Entre as justificativas apontadas para o atraso ou cancelamento dos projetos estão: burocracia, imprevistos, disputas judiciais sobre desapropriações, modificação nos planejamentos iniciais e problemas com empresas contratadas, entre outros. De acordo com o Ministério das Cidades, desde 2007 o governo federal destinou R$ 143 bilhões a investimentos em mobilidade, sendo R$ 102 bilhões (71,3%) para obras nas cidades-sede. A responsabilidade da execução é dos governo estaduais e municipais. O ministério apontou como uma das dificuldades a fragilidade ou a falta de planejamento (leia mais).
Oito mortos em obras - Oito operários morreram em acidentes de trabalho nos enormes canteiros de obras da Copa – número quatro vezes maior que o registrado nos trabalhos dos dez estádios do Mundial de 2010, na África do Sul. A primeira dessas oito mortes ocorreu no Estádio Nacional de Brasília Mané Garrincha, em 11 de junho de 2012. A última delas foi na Arena Pantanal, em Cuiabá, em maio deste ano. Os estádios de São Paulo e Manaus foram os que registraram mais mortes: três em cada um. Na Justiça, apenas o processo do primeiro acidente teve conclusão. Foi arquivado a pedido do próprio Ministério Público, que entendeu que o operário José Afonço Rodrigues foi imprudente e contribuiu para o acidente no Estádio Nacional. Assim, ninguém será responsabilizado criminalmente pela morte do trabalhador. A família foi indenizada pela empresa que José Afonço trabalhava. Nos demais casos, a Polícia Cilvil ainda investiga as causas e eventuais responsáveis pelas mortes nas obras dos estádios (leia mais).
Vai ter mascote, não vai ter caxirola - O mascote da Copa foi apresentado em outubro de 2012. Ganhou nome – Fuleco – um mês depois. Foram 18 meses até o personagem ficar pronto. A criação foi feita nos computadores da agência paulistana 100% Design, por uma equipe de 15 pessoas. Outros dois nomes, Zuzeco e Amijubi, estavam na briga. Mas uma enquete no Fantástico fez com que o simpático tatu-bola fosse batizado de Fuleco
(leia mais sobre a escolha do nome).
Criada por Carlinhos Brown para ser uma espécie de "vuvuzela" brasileira durante a Copa e comercializada pelo grupo americano The Marketing Store, a caxirola ganhou apoio do governo brasileiro e é um dos produtos licenciados pela Fifa e oficiais do Mundial. A invenção do músico baiano, porém, entrou na lista de itens proibidos nos jogos da Copa. Em abril de 2013, a torcida do Bahia jogou caixirolas nos jogadores, durante um clássico contra o rival Vitória, na Fonte Nova, em Salvador (leia mais).
Vai ter musa - Fernanda Lima se tornou musa da Copa, antes mesmo de o torneio começar. O título extraoficial veio após a apresentadora da TV Globo ter sido escalada para comandar eventos da Fifa. Ela deu o ar da graça no sorteio dos grupos do Mundial, na escolha do Bola de Ouro e em um congresso da entidade. Os vestidos, decotes e acessórios de Fernanda chamaram a atenção de quem foi aos eventos e de quem os acompanhou pela internet e pela TV (leia mais).

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